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O que é uma narrativa transmídia e suas diversas aplicações

O ato de contar histórias é considerado uma arte desenvolvida pelo ser humano. Desde antes da invenção da escrita, o conhecimento era transmitido por meio da fala e o contador de histórias era reconhecido por essa sabedoria.

Os anos foram passando e as maneiras de contar histórias, evoluindo. O advento da escrita colaborou para que o texto se elaborasse mais e se materializasse, enquanto a contação de histórias de forma oral se destacou pelo contato e pela troca entre o contador e o ouvinte.

A acessibilidade dos eletrônicos, softwares e da internet permitiu que as pessoas criassem e recebessem histórias como nunca antes. Foram desenvolvidos tantos meios que hoje em dia as marcas também passaram a contar histórias, usufruindo das potencialidades das diferentes mídias.

Uma forma de alavancar esses meios é através da narrativa transmídia - termo concebido por Henry Jenkins em 2006, com o lançamento do livro Convergence Culture (Cultura da Convergência), na qual é criada uma experiência através de diferentes plataformas e formatos, como filmes, televisão, video games, livros, quadrinhos e internet.

"Uma história transmídia desenrola-se através de múltiplas plataformas de mídia, com cada novo texto contribuindo de maneira distinta e valiosa para o todo. Na forma ideal de narrativa transmídia, cada meio faz o que faz de melhor – a fim de que uma história possa ser introduzida num filme, ser expandida pela televisão, romances e quadrinhos; seu universo possa ser explorado em games ou experimentado como atração de um parque de diversões."

  • Fonte: JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. 2009.

A narrativa transmídia representa o processo em que os elementos de uma história são dispersados sistematicamente através de múltiplos canais, com o objetivo de criar uma experiência de entretenimento única e coordenada. Nessa concepção, cada meio contribui de forma única para o desenrolar da história. Essas contribuições não dependem uma da outra para que a história faça sentido, elas na verdade se complementam e juntas tornam o conhecimento sobre aquela narrativa mais completo.

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Como exemplo, temos a franquia Matrix, na qual partes-chave das informações eram transmitidas através dos três filmes live action, uma série de curtas animados - Animatrix, duas coleções de quadrinhos e alguns video games. Não existe uma única fonte onde se possa obter toda informação necessária para compreender o universo de Matrix.

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Um outro bom exemplo é a franquia Harry Potter, que além dos 7 livros e 8 filmes da saga, possui várias outros artifícios do universo bruxo como mapas e alguns livros escritos na perspectiva dos bruxos como Animais Fantásticos e Onde Habitam e Quadribol Através dos Séculos. Além disso, Harry Potter possui atrações em parques de diversões (que contribuem com a narrativa da saga) e a plataforma online Pottermore, onde os fãs têm a oportunidade de re-emergir no universo bruxo.

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De acordo com Jeff Gomez, presidente e CEO da Starlight Entertainment, o website Pottermore traz a marca Harry Potter desde a sua origem como um mundo de histórias reaproveitado, até a transformação em uma marca transmídia. Para Gomez, o que realmente faz o Pottermore um sucesso da narrativa transmídia é o seu nível de interatividade.

“Transmídia basicamente significa interatividade: a audiência sentindo não só uma intensa relação com o contador da história (eles já sentem isso com J.K. Rowling), mas um sentimento de que a sua contribuição terá algum tipo de impacto no universo da história em si. Isso é o que eu acredito estar acontecendo com Pottermore. Ele foi projetado para ser um portal de mão dupla entre todos nós e o universo Harry Potter. Ele irá promover participação através do incentivo à comunidade, diálogo e conteúdo gerado pelo usuário. Ele existe não só para vender eBooks, mas para cultivar e essencialmente expandir a obra Harry Potter.”

  • GOMEZ, Jeff. Entrevistado pela Forbes, 2011.

Transmídia também está envolvida com marcas do nosso dia a dia, mas não simplesmente contando a mesma história em mídias diferentes. Só porque o consumidor pode assistir um mesmo comercial no YouTube e na televisão, isso não significa que a marca está se engajando com a narrativa transmídia.

Ao utilizar a transmídia para expor sua marca e atrair pessoas, você oferece opções para o seu cliente navegar em narrativas distintas e que ele tenha um conteúdo mais completo sobre os seus valores.

É possível promover uma campanha em diferentes plataformas, e o consumidor pode participar e se interessar pelo que foi divulgado em todas elas ou só por uma. Caso ele se interesse pelo que foi divulgado em todas as plataformas, terá mais conteúdo sobre a sua marca. Caso se interesse pelo que foi divulgado em apenas uma plataforma, ele não ficará carente de informações sobre o produto ou serviço ofertado. Afinal, a intenção é que a narrativa de cada plataforma contribua de uma maneira diferente para a construção da história escolhida para a campanha.

É interessante que as marcas utilizem as narrativas transmídia para que possam expressar o seu posicionamento, reforçar suas características e valores, de forma a gerar um melhor relacionamento com seus consumidores.


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